sábado, 24 de abril de 2010

Lilith - Além das faces de Eva

 L I L I T H

A Donzela Negra

 


"Ninguém te conhece.
Ninguém.
Mas eu te canto no seu perfume e na sua graça
 para a posteridade.
E me encanto com a forma como persegues
a morte e sua coragem jubilosa..."
(Garcia Lorca)

"No alto do ramo mais alto, uma tão rosa maçã.
Mulher.
 Esqueceram-na os apanhadores de frutas?
Não.
Mãos não tiveram para a colher..."
(Safo)

Não é preciso consenso, nem arte, nem beleza ou idade:
 a vida é sempre dentro e agora.
(Lya Luft)

Lilith, é uma variação hebraica (e não judaica)
da deusa sumeriana Lil 
que significa "tempestade" -,
muitas vezes reconhecida como a outra face de Inanna.
Seu nome também parece estar relacionado à "coruja", provavelmente pelos seus hábitos:
uma sinistra ave de rapina que se precipita,
 silenciosa, na escuridão, e que, não obstante,
também simboliza a sabedoria.
Por outro lado, o mito hebreu fala de como Lilith
que foi moldada de terra e esterco,
provavelmente querendo refletir
o potencial da terra adubada - o que a relaciona, também, com a SEXUALIDADE e FERTILIDADE.
A história que podemos lembrar de Lilith começa com Innana, a neta da deusa Ninlil, conhecida como
"Rainha dos Céus".
 A história de Innana e Enki nos fala dos costumes sexuais sagrados, que são a dádiva de Innana para a humanidade.

Em seus templos se praticava a prostituição sagrada e suas sacerdotisas eram conhecidas como Nu-gig.
Os homens da comunidade buscavam a Deusa nessas sacerdotisas e o ato sexual era sagrado, proporcionando a CURA FÍSICA E ESPIRITUAL. Nessa época, o nome de Lilith era o da Donzela, "mão de Innana", que pegava os homens nas ruas e os trazia ao templo de Erech para os ritos sagrados.

Entre 3000 e 2500 a.c., os sumerianos passaram a ter contatos com culturas patriarcais. Estas, para poderem dominar aquele povo, sabiam que deveriam atacar seu maior centro de poder: o templo do sexo sagrado.
Para que a conquista dos sumérios pudesse ter lugar, as culturas patriarcais interessadas começaram a disseminar as idéias de repressão sexual, combatendo como malignas as práticas sexuais milenares dedicadas à Deusa.

As práticas sexuais se tornaram então parte da sombra,
o poder da mulher foi identificado
com o mal e o demoníaco...
Daí, através dos séculos, a Donzela Lilith,
que buscava os homens
para o Templo de Innana, se tornou no patriarcado o símbolo do mal supremo.
Ela encarna de todas as formas e por milênios o medo atávico do homem
do poder sexual da mulher.
Mais ou menos em 2400 a.c. Lilith, o Espírito do Ar,
foi distorcida como a primeira mulher de Adão,
 como encontramos em muitos mitos,
como um demônio, que foi expulsa do Jardim do Éden. Lillith não é, originalmente, da mitologia cristã ou judaica (e muito menos bíblica - e por isso nem é mencionada nela).
Os hebreus não eram monoteístas como os judeus.
Até pelo contrário: eram politeístas.
E pautavam sua vida pessoal e comunitária
 pelos ciclos sazonais
- o que os torna também pagãos. Só após a invasão e destruição de Israel pelas forças babilônicas, no século VI a.C., é que começa a surgir o Judaísmo,
mais ou menos como hoje o conhecemos - monoteístas e patriarcais.
Os primeiros capítulos da Bíblia (Gênesis 1 a 3) não são os escritos mais antigos desse livro. Sua articulação final data mais ou menos do fim do Exílio na Babilônia e,
portanto, traz uma profunda rejeição a tudo que fosse ligado ao "inimigo".
A Árvore da Vida, a Serpente e até a própria
figura da Mulher são tratadas com menosprezo
exatamente para estabelecer uma distinção.
No entanto, é interessante lembrar que o significado do nome "Eva" é "MÃE DE TODOS",
e Adão significa "FILHO DA TERRA" - e isso já é suficiente para estabelecer sua antigüidade em relação à própria Bíblia. Certamente trata-se de um mito passado de geração em geração, via oral (como de hábito naqueles povos),
que falava de uma GRANDE MÃE e de seu Filho.
Os autores bíblicos inverteram a situação, transformando Adão praticamente num "Grande Pai" e Eva em sua "filha",
posto que ela surge a partir dele - evidentemente, para tornar legítima a postura patriarcal que estavam adotando. Da mesma forma, a Árvore e a Serpente - que sempre foram símbolos da Grande Deusa no Oriente - torna-se,
na Bíblia, representações do Mal -
e é ai que o mito de Lilith pode ser melhor compreendido.
Obviamente, uma transição desse porte não aconteceu sem brigas, discussões e resistência por parte das mulheres. Submetê-las ao patriarcado deve ter sido um trabalho difícil e que demorou várias gerações. As mais resistentes muito provavelmente viram no mito de Lilith toda a sua força ideológica - o que também deve ter causado a reação contrária de transformá-la em um Demônio e mãe de todos os demônios.

Lilith transparece, no mito hebreu, como a mulher livre, sensual, sexual e até certo ponto selvagem.
Aquela que não se submete a nenhum homem,
mas SEGUE SEUS INSTINTOS E DESEJOS.
Por isso ela é representada sobre leões
- símbolo da força masculina.

No fundo, é a mulher que todo homem deseja,
mas que também teme, e por isso mesmo, parece um "demônio tentador".
Lilith, na tradição matriarcal, é uma imagem de
 TUDO O QUE HÁ DE MELHOR NA SEXUALIDADE FEMININA
- A NATUREZA DA MULHER,
O PODER DO SANGUE MENSTRUAL,
que é o poder da Lua Escura.
O período normalmente dedicado a Lilith, naquela época, era exatamente o período menstrual. O momento em que as mulheres poderiam ter relações sexuais livres da possibilidade de gravidez e, por isso, tais relações estariam exclusivamente ligadas ao prazer (e não à procriação, como era a perspectiva patriarcal). Assim, muitas vezes, se referiu a essa Deusa como o "Espírito Menstrual".

A reação judaica foi muito rápida e fulminante: transformou em pecado e tabu o sexo no período menstrual - uma artimanha para solapar o culto a Lilith.

A segunda foi criar "regras" para a relação sexual - particularmente, regras que garantiam o prazer masculino, mas negava e proibia o prazer feminino.
Nesse quadro, Lilith figurava para as mulheres como a experiência sexual capaz de integrar mente e corpo (pois estava livre da gravidez), abrindo um caminho para os tesouros misteriosos do submundo feminino. É encarada como a mulher positiva e rebelde, a que não aceita os padrões patriarcais que marcam a menstruação
com dores e vergonha.
Conhecer a figura de Lilith é lembrar de um tempo no passado antigo da humanidade em que as mulheres eram honradas pela INICIAÇÃO SEXUAL,
onde expressavam sua LIBERDADE E PAIXÃO NATURAL.
Hoje, depois desses séculos todos de um
 patriarcalismo opressor,
Lilith volta como uma DEUSA NEGRA, ou seja, a energia feminina trancafiada nos calabouços da psiquê de toda a humanidade:
para os homens, ela é um desafio;
para as mulheres, um arquétipo.
O que significa reivindicar os poderes de Lilith
para a mulher de hoje?

Na literatura mítica antiga havia 3 Liliths
que refletiam as fases
de lua crescente, cheia e escura:
A Lilith crescente era Naamah, a Donzela Sedutora

Donzela é a mulher indômita, selvagem, livre, vibrante de energia, imprevisível como o vento.
 Sua resposta à vida é espontânea, vívida.
Totalmente objetiva.

 Por mais bela que possa ser,
 não anseia por estabelecer relacionamento,
 mas para avaliar, experimentar e descobrir suas próprias formas de ordem.
A mulher mais velha pode ter sido limitada ou reprimida na juventude,
e pode reivindicar a Donzela, conscientemente, para libertar seu espírito e encontrar a sua direção.
Muitas crises de meia-idade são forjadas por uma Donzela enclausurada e confinada, precipitada muito cedo num casamento convencional, sem oportunidade de explorar alternativas na sexualidade ou na carreira.
Mulheres em motocicletas, em laboratórios, estudando as florestas e matas, dançando num palco, discursando na plataforma política
 elas são a Donzela.

A Lilith Mãe era Nutridora




Na primavera ela abre seu corpo-terra para gerar crescimento novo e brilhante. No verão, ela envolve com braços protetores a terra ardente. Na época da colheita ela espalha amplamente sua generosidade, e, à medida que o frio aumenta, ela aconchega os animais em suas tocas no inverno, puxando as sementes para o profundo interior do seu útero até que volte a época do reverdecimento.

A Donzela pode inspirar nossos atos criativos,
mas a Mãe está presente quando os produzimos.

E havia a Lilith Anciã, a Destruidora

Embora a Donzela seja procurada e a Mãe respeitada, a Anciã recebe pouca atenção.
Mas é na Anciã que o poder feminino realmente se torna COMPLETO.

A Anciã é SÁBIA, observadora, tecelã, conselheira.
Conhece os caminhos entre os mundos. Isso pode fazer dela uma personagem desconfortável, mas é um repositório de sabedoria feminina, do conhecimento acumulado da mulher que não menstrua mais, porém
MANTÉM DENTRO DE SI O DEPÓSITO DO SEU PODER.

Na primeira, devemos confrontar as maneiras pelas quais nós somos reprimidos, buscando recuperar nossa dignidade. Na segunda, devemos integrar o desespero que vem de nossa rejeição, angústia, medo, desolação; e na terceira descobrimos o poder da transmutação e da cura dela decorrente, uma vez que ela corta nossas falsas retenções, desilusões e nos ajuda a encontrar nossa essência
livre e selvagem.
Como vimos a mulher na sociedade patriarcal foi proibida de ter o acesso ao orgasmo e ao prazer sexual, que eram sagrados e naturais logo jamais poderiam ser considerados parte do mal. O problema é que AINDA as mulheres seguem as regras de como fazer sexo e quando (não fazendo quando estão mestruadas) e sentem até vergonha do próprio sangue mestrual...Tal coisa com toda certeza é resquício da dominação patriarcal ao espírito místico e Natural da Mulher (como Deusa e Sacerdotisa e posteriormente Feiticeira). O medo do poder da mulher é tão grande e tão enraizado em nossas culturas que não é dada nenhum ou pouco valor a dádiva da Mulher como Geradora da Vida e da Maternidade e os homens é dado todo valor pelo fato de terem "feito" um filho na sua esposa e agora serem um pai ....Como se qualquer gato vagabundo não pudesse fazer a mesma coisa!

A Mulher que forma em si a criança, desenvolve seu corpo e alimenta seu espírito com parte de sua energia durante as semanas da gravidez e que aguenta as dores do parto e dá a luz a sua criança , a imagem da Deusa Mãe que gera a Criança Divina que um dia será o homem adulto que deveria honrar a Mulher e sua dignidade para poder de novo ter acesso ao Grande Espírito...A Grande Mãe que liga a alma e o corpo da mulher e do homem...E que dá ao Homem ( verdadeiro e não o Pai-Macho que impera em nosso dias) o valor e a sabedoria...

A mulher precisa se reconectar com seu Espírito de Sacerdotisa que por consequência a torna Deusa e sagrada mediadora das forças cosmologicas e teluricas, conhecedora do corpo de Gaia, a Terra Mãe que gerou sozinha todo o universo...E cujo corpo fisíco a Terra deveria ser honrado e respeitado e não degradado, usado e temido...Tal como a Mulher!

 
LILITH, A SENHORA DA LUA ESCURA


 
ORAÇÃO DE LILITH

Que eu jamais seja controlada

nem pela luz nem pelas trevas

sou a manifestação da Deusa na terra

que não aja fogo ou fogueira capaz de me deter

que jamais aja forças no patriarcado para me controlar

pois sou um ser livre

sou uma mulher-serpente

sou filha do sol e da lua

por isso não posso ser controlada

posso ser conduzida pelo Poder da Mãe

mas jamais controlada

não existem forças no céu ou na terra

capaz de me deter

pois sou uma mulher indomada

sou o principio feminino

sou Lilith

que assim seja e assim se faça


Palavra de Lilith:
"Por que devo deitar-me embaixo de ti?
 Por que devo abrir-me sob teu corpo?
Por que ser dominada por ti?
Contudo, eu também fui feita de pó e
por isso sou tua igual "

Lilith, intimamente associada aos Vampiros e às bruxas,
é um espectro que paira sobre a religião judaica.
No ato sexual ela ficava por cima de Adão,
e não quis ser subjugada pelo macho, daí sua revolta.
Este fato retrata, talvez, a transição, dos cultos a Deusa para o Deus judaico, de uma sociedade agrária ou coletora para uma pastoril.
Este fato se repetiu inúmeras vezes pelo mundo
(com isso não estou falando de sua existência objetiva,
mas sim subjetiva, mas com exteriorizações).
Lilith, em sua origem, deve ter sido um arquétipo da grande deusa mãe, que tentou resistir a invasão do patriarcado. Possivelmente Abel, o pastor, foi sacrificado a esta grande mãe.
Mas as coisas não foram tão fáceis para os pastores patriarcais. Muitas mulheres judias ficaram fascinadas pelo culto à grande mãe.
Um bom exemplo é a história de Sodoma e Gomorra.
Lot foi expulso da cidade, vejam esta passagem:
"o povo de Sodoma cercou a casa de Lot, do mais velho ao mais jovem.
 E eles proferiram: que se vá embora, um estranho, que veio morar conosco e agora quer ser um juiz?".
Com isso fica claro que eles não eram judeus
(os habitantes de Sodoma),
e que a alegoria da conversa entre Lot e Deus
é um acréscimo posterior.A parte mais curiosa tem a ver com a mulher de Lot, que não quis acompanhá-lo, pois possivelmente preferiu ficar com o culto à Grande Deusa. Ou seja, a história de virar uma estátua de sal é mais uma alegoria. Lot afogou suas mágoas com as duas filhas em uma relação incestuosa.O nome Lilith vem da Mesopotâmia, encontrada nas civilizações sumeriana, acadiana e babilônica, onde há várias divindades nas quais ocorre o fragmento "lil" como, por exemplo, os deuses Nilil, Enlil entre outros.Belit-ili, Lillake, a cananéia Baalat, a Divina Senhora são alguns de seus nomes. Nas representações mais antigas de Lilith ela aparece como Lilake (cidade de UR 2000 A. C).Lilith está intrinsecamente associada à coruja, sendo representada como uma mulher sedutora, torneada, de seios bem formados e suculentos, uma yoni* (Nota: vagina) que exala o perfume do amor, com pés de coruja e asas.
Na literatura hebraica, ela é a primeira mulher de Adão.
Ao que tudo indica para a cabala, (Zohar) o deus judaico criou Lilith e Adão como gêmeos.
 Ela queria igualdade para com ele, mas lhe foi negada.
Ela não se subordina a Adão,
e conseqüentemente incorre na ira do deus.

LIBERTAÇÃO FEMININA

Lilith é o arquétipo da mulher indomada,
que luta apaixonadamente pelo poder pessoal.
Suas características são destemor, força, entusiasmo e individualismo. Ela é atividade e exuberância emocional. Para as religiões patriarcais, é a personificação
da luxúria feminina, uma inimiga das crianças que atua de noite, semeando o mal e a discórdia.
Em Isaias, ela é chamada de "a coruja da noite".
No Zohar, é descrita como
 "a prostituta, a maligna, a falsa, a negra".



"Lilith aparece em nossas vidas para nos dizer que é hora de assumirmos o nosso poder.
Você tem medo de assumi-lo?
Você é daquelas pessoas que não sabem dizer "não"?
Tem medo de perder sua feminilidade
se tiver o poder em suas mãos?
Você teme ser afastada(o) ou banida(o) pelos outros
quando estiver em exercício de seu poder?
Está com medo de fazer mau uso dele,
dominando ou manipulando os outros?
Lilith diz que, agora, para você, o caminho da totalidade está em reconhecer que não está ligada ao seu poder e, então, em segundo lugar, submeter-se e aceitar este poder."

RITUAL DE PODER



CERIMÔNIA DE CORTAR A CORDA



Este ritual é excelente, eu já o realizei e consegui ativar poderes interiores antes, totalmente ignorados. Você deve realizá-lo de acordo com o ciclo lunar. O tempo certo para você colocar as cordas é um dia depois da entrada da LUA CHEIA (sempre à noite). Para cortá-las é no dia em que entra a LUA NOVA (sempre à noite). Cuide para não errar a lua, pois pode fazer muita diferença!



Para esta cerimônia você precisará de uma corda ou barbante, uma tesoura e um queimador de incenso e um caldeirão ou uma fogueira. O ritual pode ser feito a sós ou com um grupo de pessoas.



Deverá ter em mente três situações em que foi-lhe solicitado o uso de poder, mas você não conseguiu exercê-lo, por medo, insegurança, crenças ou qualquer outro motivo. Em seguida agende a data para colocar as cordas.



Você deve traçar um círculo (com pedras, sal ou o que achar melhor). Abra os portais e peça gentilmente que seu animal de poder esteja presente. Quando estiver pronta(o) pegue a corda e corte do tamanho que corresponda ao lugar do corpo que pretende amarrá-la. Por exemplo, se você está com algum bloqueio que a (o) está impedindo de caminhar com todo seu poder, você deve amarrar a corda em torno dos tornozelos. Se você estiver com problemas de expressão, deve amarrá-la na garganta. Se tem medo de que a sua sexualidade a(o) impeça de manifestar o seu poder, amarre a corda nos quadris. No momento em que estiver amarando a corda, afirme o significado dela. Durante os dias que separam a colocação e o corte das cordas, você deverá diariamente concentrar-se em cada uma delas e no que elas representam, olhando-as e sentindo-as junto à pele.



Na noite de cortar as cordas, peque o queimador de incensos e o caldeirão, fósforos e uma faca ou tesoura. Trace o círculo, acenda o incenso (pode ser de alecrim) e chame seu animal de poder. Você deve tocar selvagemente o tambor e gritar o significado das cordas. Se não quiser chamar a atenção dos vizinhos pode falar mentalmente. Sente-se em frente ao caldeirão e corte as cordas confirmando o significado de cada uma delas. Jogue-as dentro do caldeirão e queime-as. Sinta o fluxo do poder enquanto observa cada uma delas transformar-se em fumaça. Respire fundo e sinta sua nova noção de poder. Se você traçou um círculo, libere o que foi chamado para fazer parte dele com gratidão. Agradeça a Lilith por lhe apontar o caminho para o seu próprio poder.




Em pleno século XXI, o interesse pelo mito da Deusa Lilith, reside na possibilidade de se representar e constituir uma nova mulher, a qual se sente identificada com as figuras evocadas por suas tradições culturais.

 

MEDO DO FEMININO

Toda a ideologia do patriarcado concebe o "feminino" como uma força irracional destrutiva. Entretanto, a desvalorização do Feminino deve ser entendida como uma tentativa de superação do medo do Feminino e de seu aspecto perigoso como a "Grande Mãe" e como a "anima".



No patriarcado, o inconsciente, o instinto, o sexo e a terra, enquanto coisas terrenas, pertencem ao "feminino negativo", ao qual o homem associa a mulher, e que todas as culturas patriarcais, até o presente momento, a mulher e o Feminino têm sofrido sob a atitude defensiva e o desprezo masculinos.



Essa avaliação negativa não se aplica apenas ao caráter elementar e ao aspecto matriarcal, mas igualmente ao seu transformador. Para o homem, que considera-se "superior", a mulher se torna feiticeira, sedutora, bruxa, e é rejeitada em virtude do medo associado ao Feminino irracional. O homem denuncia o Feminino como escravizador, como algo confuso e sedutor, que pode colocar em risco a estabilidade de sua existência. Ele rejeita o feminino, especialmente porque ele o prende no casamento, na família e na adaptação à realidade, e o confunde quanto o pensar de si próprio. Como o indivíduo do sexo masculino é dominado pelo elemento espiritual superior, ele foge da realidade da terra e prefere ascender rumo ao céu.



O resultado dessa postura unilateral, torna o homem não integrado que é atacado por seu lado reprimido e em muitas vezes sobrepujado por ele.


A negativização do Feminino não deixa que o homem experiencie a mulher como uma igual, mas com características distintas. A conseqüência da altivez patriarcal leva à incapacidade de fazer qualquer contato genuíno com o Feminino, isto é, não apenas com a mulher real, mas também com o Feminino em si, com o inconsciente.



Enquanto o indivíduo do sexo masculino não deixar desenvolver o Feminino (anima) em uma psique interior, jamais chegará a alcançar a totalidade. A separação da cultura patriarcal do Feminino e do inconsciente torna-se assim, uma das causas essenciais da crise de medo que agora se encontra o mundo patriarcal.


A DEUSA LILITH




(...)“Psicologicamente, em todos os seus aspectos,
Lilith parece representar facetas do feminino que foram suprimidas. A sua natureza manifesta-se como uma Desordem de Múltipla Personalidade em que aspectos do feminino foram estilhaçados, e algumas dessas partes são etiquetadas como boas e outras como más.



Individual ou colectivamente, a maneira como isso se apresenta depende do contexto. Lilith pode ser um anjo rigoroso e severo, ou um demónio colérico. Algumas vezes ela está zangada e é vingativa, outras vezes ela tem o poder de retomar o seu estatuto correcto de parceira em igualdade. Os astrólogos que usam Lilith, em qualquer das suas formas, acreditam que ela revela feridas relacionadas com o poder feminino, tanto em homens como em mulheres. Reconhecer que há algo a que foi negado acesso, é um primeiro passo para restaurar o equilíbrio. Podemos imaginar que destino teria sido o da humanidade se Adão e Lilith se tivessem entendido.Lilith saiu do jardim e consequentemente a sua natureza e poder descontrolado passou a ser temido e foi declarado mau. A história de Lilith encarna o que ocorreu nos mitos ao longo dos tempos à medida que as culturas que veneravam antigas deusas foram eclipsadas pelo patriarcado emergente. [Dos três mitos referidos acima] Personificando a Árvore da Vida, Lilith é um exemplo de quantas divindades femininas foram demonizadas. Nos tempos modernos, à medida que o pêndulo retorna no seu movimento,
Lilith tornou-se um ícone de poder feminino.”



De volta ao jardim... No Éden existiam duas árvores.
 Eva, criada para substituir Lilith, agarrou no fruto da outra árvore, a Árvore do Conhecimento. Ela foi acusada pela Igreja, e com ela, todas as mulheres, pelos pecados do mundo. Descodificar o significado simbólico da serpente, antigo e difundido símbolo da sabedoria feminina, é fundamental para compreender os níveis mais profundos da história da humanidade. Na Cabala, a tradição mística do judaísmo, a serpente sobe pela Árvore da Vida para retornar à fonte.A natureza fragmentada e confusa de Lilith, no mito e na astrologia, pode reflectir as maneiras como as nossas escolhas fracturaram a psique humana, e ela pode deter a chave que poderia abrir possibilidades de cura. Furar o véu da persona enigmática de Lilitih pode dar aos homens e mulheres modernos uma energia que confere poder e que é muito necessária no mundo de hoje. Alguns simbolistas sugeriram que a Idade de Aquário pode ser simbolizada por jardins e por uma Terra mais verde. À medida que a consciência humana se expande, creio que todos beneficiaríamos se redimíssemos a nossas naturezas separadas.



Integrar todas as partes da nossa feminilidade, incluindo a sexualidade e os mistérios da velhice e da morte, poderia tornar-nos mais fortes e sábios ao enfrentar os actuais desafios ambientais.”

“Lilith: Deusa, Demônio ou Lua Negra da Terra”